União Europeia pressiona por ações climáticas globais mais robustas na COP30 no Brasil.
• A UE pressionará por uma implementação acelerada do Acordo de Paris por meio de novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e compromissos para triplicar as energias renováveis e duplicar a eficiência energética até 2030.
• O bloco apresentará formalmente sua NDC para 2035, com o objetivo de reduzir as emissões líquidas em 66% a 72.5% em relação aos níveis de 1990, rumo à neutralidade climática até 2050.
• A UE também apoiará os esforços para aumentar o financiamento climático global para pelo menos 1.3 biliões de dólares por ano até 2035 e promover a cooperação global no mercado de carbono.
Europa busca consolidar liderança global na COP30
Enquanto líderes globais se reúnem para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) de 10 a 21 de novembro, a União Europeia inicia negociações com o intuito de reforçar a cooperação internacional para manter a meta de 1.5°C do Acordo de Paris ao seu alcance. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a mensagem da UE será clara: a transição para energias limpas é “contínua e irreversível”, mas a equidade e a inclusão devem definir seu ritmo e alcance.
A agenda da UE para Belém é pautada pela insistência de que a ação multilateral continua sendo vital — especialmente para os pequenos Estados insulares e os países menos desenvolvidos que enfrentam graves ameaças climáticas. Autoridades descrevem a conferência como um momento para sanar a lacuna de implementação exposta pelo primeiro Balanço Global e para apresentar um plano coordenado para acelerar a descarbonização em todas as principais economias.
Aguçando a ambição: de Paris a Belém
A posição central da UE reside no apelo para que todas as Partes da COP reforcem as suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). A próxima NDC do bloco compromete-se a reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em 66.25% a 72.5% até 2035, em relação aos níveis de 1990. Isto está em consonância com a sua trajetória rumo a uma redução de 90% até 2040 e à neutralidade climática total até meados do século. As metas, que abrangem todos os setores e gases com efeito de estufa, refletem a intenção da Europa de estabelecer um parâmetro global para a credibilidade da transição e a coerência das políticas.
A Comissão considera isto como o próximo passo num quadro legislativo e financeiro de uma década — desde a expansão do mercado de carbono e o Fundo Social para o Clima até aos Fundos de Inovação e Modernização — concebido para sustentar a competitividade industrial, reduzindo simultaneamente a dependência dos combustíveis fósseis.
Cumprindo as promessas de balanço global e de energia.
Espera-se que os negociadores em Belém se baseiem nas conclusões do Relatório de Síntese da ONU, que analisou o progresso nacional no âmbito do Acordo de Paris. A UE instará os governos a operacionalizar os compromissos assumidos na COP28, incluindo o Compromisso Global de triplicar a capacidade de energias renováveis e duplicar os índices de eficiência energética até 2030.
Ao mesmo tempo, a UE apoia o avanço dos trabalhos relativos ao Quadro de Resiliência Climática Global dos Emirados Árabes Unidos e de Belém, com ênfase no estabelecimento de indicadores robustos de adaptação. Essas métricas ajudariam os países a mensurar o nível de preparação, fortalecer a governança dos riscos climáticos e direcionar melhor os fluxos financeiros.
Finanças e mercados de carbono em foco
O financiamento climático continua sendo o tema mais controverso e crucial da COP30. O "Roteiro Baku a Belém", a ser apresentado conjuntamente pelo Azerbaijão e pelo Brasil, defende o aumento do financiamento para as economias em desenvolvimento para pelo menos US$ 1.3 trilhão anualmente até 2035. A UE, já a maior financiadora pública de projetos climáticos do mundo, disponibilizou € 31.7 bilhões em fundos públicos e mobilizou mais € 11 bilhões em financiamento privado em 2024. Espera-se que Bruxelas utilize esses números para incentivar uma ambição semelhante por parte de outras grandes economias e investidores privados.
Em relação aos mercados de carbono, a UE apoia a proposta da Presidência da COP30 de lançar a Coligação Aberta para Mercados de Carbono em Conformidade — um fórum para países que promovem sistemas de precificação de carbono. Autoridades da UE argumentam que mercados eficazes e transparentes podem aprimorar o alinhamento global e direcionar capital para resultados de mitigação verificáveis.
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Transição Industrial e Parcerias Globais
A presidente von der Leyen participará de diversas sessões, incluindo a Mesa Redonda de Alto Nível sobre Descarbonização da Indústria, onde as discussões se concentrarão em orientar a indústria pesada rumo a fontes e tecnologias de energia de baixo carbono. O engajamento diplomático mais amplo da UE irá além da mesa de negociações, com reuniões bilaterais planejadas com governos, instituições multilaterais e a sociedade civil.
A vice-presidente executiva Teresa Ribera e os comissários Wopke Hoekstra e Ditte Juul Jørgensen liderarão sessões sobre liderança local, transição energética e redução de metano. O bloco também continua copresidindo o Compromisso Global de Metano com o Canadá, reforçando seu foco na redução de emissões em todos os setores.
Da liderança regional à influência global
Desde 1990, a UE reduziu as emissões de gases de efeito estufa em 37%, ao mesmo tempo que expandiu sua economia em quase 70%, representando agora cerca de 6% das emissões globais. Esse histórico, aliado à sua legislação climática vinculativa e à sua estrutura regulatória, permite que o bloco participe da COP30 com credibilidade política e influência econômica. No entanto, os negociadores da UE reconhecem que a credibilidade agora depende de resultados concretos — não apenas internamente, mas também por meio de parcerias capazes de ampliar o impacto em economias em desenvolvimento.
Enquanto a atenção mundial se volta para Belém, a postura da União Europeia reflete uma dupla ambição: manter sua liderança na transição para uma economia limpa e fortalecer um sistema global de prestação de contas e financiamento robusto o suficiente para enfrentar o teste mais difícil do Acordo de Paris — a implementação.
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