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Brasil reduz desmatamento da Amazônia ao menor nível em 11 anos antes da COP30

Brasil reduz desmatamento da Amazônia ao menor nível em 11 anos antes da COP30

Brasil reduz desmatamento da Amazônia ao menor nível em 11 anos antes da COP30


• O desmatamento na Amazônia caiu 11% em relação ao ano anterior, o menor índice desde 2014, com 5,796 km² desmatados.
• O governo Lula destaca uma queda de 50% na perda florestal desde que assumiu o cargo em 2023.
• A queda na popularidade do Brasil permite que o país apresente avanços na COP30, mas ainda existem divergências sobre os novos planos de exploração de petróleo.

A credibilidade climática do Brasil aumenta com a redução do desmatamento.

O desmatamento na floresta amazônica brasileira caiu para o menor nível em 11 anos nos 12 meses até julho, segundo dados do governo divulgados nesta quinta-feira, reforçando os esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para restaurar a credibilidade ambiental do Brasil antes da cúpula climática da ONU do ano que vem, a COP30.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostraram que 5,796 quilômetros quadrados de floresta foram desmatados entre agosto de 2023 e julho de 2024 — uma queda de 11% em comparação com o ano anterior e o menor total desde 2014. Os números coroam um ano de intensificação da fiscalização e do monitoramento sob o governo Lula, que prometeu acabar com todo o desmatamento até 2030.

"Nem nos meus melhores planos imaginei que chegaríamos a este ponto com uma redução de 50% no desmatamento." disse Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, atribuindo o resultado ao reforço da vigilância por satélite e à coordenação interinstitucional.

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva

Aplicação da lei e alinhamento de políticas

O retorno de Lula ao poder em 2023 reverteu um aumento de quatro anos no desmatamento durante o governo de seu antecessor, período em que as proteções ambientais foram enfraquecidas e a mineração e a pecuária ilegais se expandiram. Desde então, o governo restabeleceu o financiamento para agências ambientais, reinstaurou multas para o desmatamento ilegal e reabriu centros de comando voltados para áreas críticas de desmatamento.

Os resultados posicionam o Brasil como um caso de estudo de caso exemplar na combinação de fiscalização e vontade política. A estratégia do Ministério do Meio Ambiente integra operações da Polícia Federal com inteligência financeira, rastreando irregularidades na cadeia de suprimentos por meio de registros bancários e imobiliários.

O desmatamento no Cerrado, a vasta savana tropical brasileira e principal fronteira agrícola, também caiu 11.49%, para 7,235 quilômetros quadrados, o menor índice em seis anos. A queda marca o segundo ano consecutivo de redução, após quatro anos de crescimento constante, refletindo uma mudança para uma expansão do agronegócio mais regulamentada.

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Desafios globais antes da COP30

Com a COP30 marcada para Belém, porta de entrada para a Amazônia, o Brasil pretende chegar à cúpula como um líder climático de credibilidade. Lula colocou a proteção florestal no centro de sua política externa, utilizando-a para restabelecer o diálogo com parceiros internacionais e atrair financiamento climático.

O progresso do país pode fortalecer os apelos por maiores pagamentos no âmbito do Fundo Amazônia, um mecanismo apoiado pela Noruega e pela Alemanha para recompensar a redução do desmatamento. Também pode ampliar o papel do Brasil na definição da governança global do mercado de carbono, onde os créditos florestais permanecem politicamente sensíveis, mas economicamente cruciais para o financiamento climático no Sul Global.

No entanto, o governo enfrenta tensões entre os objetivos ambientais e os interesses econômicos. Grupos ambientalistas criticaram seu apoio aos planos da Petrobras de explorar petróleo perto da foz do Rio Amazonas, argumentando que isso mina a credibilidade da agenda climática do Brasil. Autoridades, por sua vez, afirmam que os projetos seguirão rigorosas normas de licenciamento ambiental e que a receita do petróleo financiará a transição para energias limpas.

Implicações para investidores e políticas

Para investidores e formuladores de políticas, os dados sobre desmatamento no Brasil servem como um barômetro da gestão de riscos de transição em mercados emergentes. Taxas de desmatamento mais baixas reduzem os riscos reputacionais e regulatórios para empresas que adquirem commodities do Brasil e reforçam a defesa de estruturas de investimento sustentável alinhadas às regulamentações de importação da UE e dos EUA, que visam cadeias de suprimentos livres de desmatamento.

Os resultados também reforçam a posição de poder do Brasil na negociação de instrumentos de dívida vinculados ao clima, incluindo títulos atrelados à sustentabilidade e emissões soberanas verdes, em que métricas de desempenho ligadas à preservação florestal podem influenciar os custos de financiamento.

Com a aproximação da COP30, o desafio para o governo Lula será manter a redução do desmatamento, ao mesmo tempo que lida com as pressões dos setores agrícola, energético e de infraestrutura. O sucesso poderá consolidar o papel do Brasil como uma potência em biodiversidade e um caso exemplar para o equilíbrio entre a ambição climática e as necessidades de desenvolvimento — um modelo acompanhado de perto por formuladores de políticas públicas, da Indonésia à Bacia do Congo.

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