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GHG Protocol lança consulta sobre novas regras de Escopo 2 para emissões corporativas

GHG Protocol lança consulta sobre novas regras de Escopo 2 para emissões corporativas

GHG Protocol lança consulta sobre novas regras de Escopo 2 para emissões corporativas

  • O Protocolo de Gases de Efeito Estufa (GHG Protocol) lançou uma consulta pública de 60 dias sobre as principais revisões de sua Orientação de Escopo 2 de 2015, com novas regras abrangendo correspondência horária, hierarquias de fatores de emissão e entregabilidade de contratos.
  • As mudanças propostas visam alinhar as divulgações corporativas com os regimes de relatórios obrigatórios em evolução (por exemplo, IFRS S2, Normas Europeias de Relatórios de Sustentabilidade) e fortalecer a integridade da contabilidade baseada no mercado e na localização.
  • Pela primeira vez, a consulta incorpora perguntas sobre “emissões evitadas” em todo o sistema a partir de ações do setor elétrico, vinculando a contabilidade de inventário e abordagens baseadas em impacto.

Um alerta para os relatórios de emissões corporativas

Em Washington, D.C., no início deste mês, o Protocolo GHG sinalizou oficialmente mudanças significativas na forma como as empresas devem medir as emissões da eletricidade adquirida (Escopo 2). A medida ocorre em meio à crescente pressão sobre organizações em todo o mundo para que forneçam dados de emissões confiáveis ​​e comparáveis, tanto em estruturas voluntárias quanto obrigatórias.

O que está mudando na contabilidade do escopo 2

No cerne da revisão está a estrutura dupla que as empresas atualmente utilizam para reportar as emissões de Escopo 2: baseada na localização (refletindo as médias da rede onde o consumo ocorre) e baseada no mercado (refletindo instrumentos contratuais, como certificados de energia renovável / EACs). A orientação de 2015 será substituída por uma nova norma que torna ambos os métodos mais rigorosos.

As principais mudanças propostas incluem:

  • Uma nova hierarquia de fatores de emissão sob o método baseado em localização, direcionando as empresas para os dados disponíveis mais precisos quando acessíveis publicamente.
  • Para reivindicações baseadas no mercado, um requisito de correspondência horária e geográfica para instrumentos de atributos de energia onde as empresas afirmam o consumo de “eletricidade limpa” — embora opções de viabilidade (como isenções de perfil de carga ou cláusulas contratuais legadas) estejam sendo propostas.
  • Critérios mais claros para entrega de contratos, maior transparência nas divulgações de instrumentos de energia e discussão explícita dos impactos em todo o sistema (a chamada “contabilidade consequencial”).

Contexto de Governança e Regulamentação

Esta consulta se enquadra em uma atualização mais ampla do conjunto de padrões corporativos do Protocolo GHG, iniciada após um envolvimento substancial das partes interessadas entre novembro de 2022 e março de 2023. O estabelecimento de um novo Conselho Independente de Padrões e Grupos de Trabalho Técnicos ressalta o maior rigor aplicado ao processo.

Enquanto isso, os regimes de divulgação obrigatória estão convergindo para métodos baseados no Protocolo: o IFRS S2 e o ESRS fazem referência explícita à estrutura do Protocolo GHG. Para a alta administração e os líderes de sustentabilidade, a implicação é clara: a contabilidade do Escopo 2 se tornará uma questão de governança de maior risco — não apenas um exercício voluntário de sustentabilidade.

Resposta do mercado e tensões das partes interessadas

Nem todas as partes interessadas se sentem confortáveis ​​com as regras mais rígidas. A Associação de Compradores de Energia Limpa (CEBA) alertou que um regime de contabilização obrigatório, baseado em localização e por hora, poderia prejudicar o mercado voluntário de compras corporativas de energia renovável, uma vez que muitos compradores podem ter dificuldades para garantir um fornecimento limpo compatível com o tempo, considerando as atuais realidades do mercado.

Um executivo de uma associação comercial observou:

"A correspondência obrigatória de tempo e local corre o risco de reduzir a aquisição geral de produtos limpos em alguns mercados."

O GHG Protocol parece estar equilibrando melhorias de precisão com viabilidade: o rascunho atual oferece isenções para organizações menores e cláusulas transitórias para contratos antigos.

ARTIGO RELACIONADO: GHG Protocol e IFRS Foundation fazem parceria para aprimorar padrões de relatórios de emissões de GEE

O que os líderes corporativos devem fazer agora

Para executivos de sustentabilidade corporativa, líderes em emissões e investidores, as implicações são duplas:

1. Prepare-se para requisitos de dados mais profundos.
As empresas devem avaliar se seus sistemas conseguem manter os dados de consumo de eletricidade por hora alinhados com as regras de aposentadoria de atributos de energia, geografia e capacidade de entrega. Caso contrário, correm o risco de reportar exposições — ou reivindicações desvalorizadas.

2. Participe da consulta e da mudança de estratégia.
A consulta tem duração de 60 dias; o envio de feedback é a única maneira de influenciar definições, limites, regras de transição e elegibilidade de instrumentos. As empresas também devem revisar os contratos atuais de energia renovável para verificar sua elegibilidade sob essas regras pendentes e considerar medidas antecipadas para atualizar suas estratégias de fornecimento.

3. Reexaminar a estratégia de aquisição de energia renovável.
Com critérios de entrega mais claros e reconhecimento do impacto no sistema, as estratégias de aquisição precisarão cada vez mais visar a descarbonização marginal da rede — e não simplesmente igualar os volumes anuais de geração limpa. Os investidores podem ver essa mudança como um aumento dos limites mínimos para declarações corporativas confiáveis ​​sobre o clima.

Por que isso é importante globalmente

A norma de Escopo 2 revisada resultante provavelmente se tornará a referência global para a contabilização de emissões corporativas relacionadas à eletricidade, atuando como uma espinha dorsal para regimes regulatórios e relatórios para investidores. Para mercados na África, Ásia e América Latina, onde a qualidade dos dados da rede elétrica pode ser deficiente e os mercados de aquisição de energias renováveis ​​são menos maduros, as empresas agora precisam planejar um alinhamento acelerado. Em última análise, dados de Escopo 2 confiáveis ​​e comparáveis ​​fortalecem tanto a confiança dos investidores quanto a governança corporativa em relação ao risco climático e à estratégia de baixo carbono em mais de 180 países.

Esta consulta oferece uma rara oportunidade de contribuição. As empresas que se envolverem antecipadamente poderão moldar o conjunto de regras para a contabilização das emissões de eletricidade na próxima década. O tempo está passando.

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