Resumo do segundo dia da COP30
No segundo dia da 30ª Conferência das Partes (COP30), no coração da Amazônia, líderes globais, negociadores e ativistas se reuniram para discutir temas como adaptação, resiliência urbana e ação climática em múltiplos níveis. Realizada em Belém, de 10 a 21 de novembro, a cúpula deste ano — considerada a “COP da Implementação” — priorizou, em seu segundo dia, a construção de defesas contra tempestades, inundações, incêndios e calor extremo, além de promover mercados de carbono, transformação dos sistemas alimentares e parcerias subnacionais. Com a adaptação ocupando o centro das atenções pela primeira vez nos dois primeiros dias, as conversas ressaltaram uma dura realidade: os países em desenvolvimento precisam de até US$ 310 bilhões anualmente até 2035 para se adaptar, mas o financiamento privado cobre apenas 3% das necessidades atuais. A seguir, um resumo completo dos principais eventos, anúncios e insights do dia.
Dia da Adaptação: Em destaque, tempestades, inundações e incêndios.
O segundo dia intensificou os apelos à construção de resiliência, tendo como pano de fundo sombrio desastres recentes como o tufão Fung-wong nas Filipinas e no Vietnã (que causou quase US$ 300 milhões em danos) e o furacão Melissa na Jamaica (com prejuízos de até US$ 7 bilhões, ou um terço do PIB). O chefe do clima da ONU, Simon Stiell, instou os delegados a chegarem a um consenso sobre indicadores para monitorar o progresso em água, saneamento, saúde e outros setores, enfatizando que “agora precisamos concordar com os indicadores que ajudarão a acelerar a implementação”.
Principais destaques incluídos:
- Promessas e iniciativas de financiamentoA Alemanha e a Espanha comprometeram-se a investir 100 milhões de dólares nos Fundos de Investimento Climático (CIF) para projetos de resiliência em países em desenvolvimento. Entretanto, o Mecanismo de Financiamento de Observações Sistemáticas das Nações Unidas anunciou planos para um título de impacto de 200 milhões de dólares até 2026, destinado a suprir as lacunas de dados meteorológicos em nações vulneráveis, originadas na COP do ano passado em Baku.
- Papel dos Bancos de DesenvolvimentoEssas instituições destinaram mais de US$ 26 bilhões para adaptação em economias de baixa e média renda no ano passado, mas especialistas como David Nicholson, da Zurich Climate Resilience Alliance, enfatizaram a necessidade de que os fundos cheguem diretamente às comunidades locais.
- Populações VulneráveisUm novo relatório da ONU revelou que 86 milhões de refugiados — três quartos dos deslocados por conflitos — enfrentam riscos climáticos extremos, levando o Alto Comissário Filippo Grandi a defender a sua inclusão nas soluções.
No X (antigo Twitter), os usuários gostam @NudratFati51607 reiterou a urgência: “No segundo dia da #COP30, delegados globais pressionam por parcerias mais fortes para combater inundações, incêndios e o aumento das temperaturas. A resiliência do mundo está sendo testada.. "
Ação urbana e multinível: cidades, edifícios e a bioeconomia
Com mais de um bilhão de pessoas em cidades costeiras ameaçadas pelas ilhas de calor urbanas e infraestrutura obsoleta, o segundo dia do evento contou com a Quarta Reunião Ministerial sobre Urbanização e Mudanças Climáticas. O Brasil apresentou a Coalizão para Parcerias Multiníveis de Alta Ambição (CHAMP), endossada por 77 nações e pela União Europeia, com um novo marco de governança copresidido pelo Brasil e pela Alemanha até 2027. Isso se alinha ao Plano para Acelerar a Solução (PAS), que visa integrar a governança multinível em 100 planos nacionais até 2028.
O Pavilhão de Edifícios e Refrigeração do PNUMA apresentou uma agenda repleta de atividades, incluindo:
- O lançamento da iniciativa Beat The Heat Implementation Drive, que coloca em prática o Compromisso Global de Resfriamento para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 68% até 2050, com compromissos de cidades como Rio de Janeiro e Nairóbi.
- A primeira reunião ministerial do Conselho Intergovernamental para Edificações e Clima (ICBC), copresidida pelo Brasil, França e Quênia, endossou o Apelo de Belém para Ação sobre habitação sustentável, materiais de baixo carbono e eficiência energética.
- Uma sessão conjunta sobre o Relatório da UNEP sobre a Lacuna de Emissões de 2025 e a síntese das NDCs da UNFCCC, alertando para um aquecimento de 2.3 a 2.5 °C sob as atuais promessas de investimento.
Os eventos paralelos temáticos abrangeram bioeconomia, economia circular, água e turismo, com o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) lançando o Protocolo Global de Circularidade — que pode economizar de 100 a 120 bilhões de toneladas de materiais e desbloquear um crescimento de US$ 4.5 trilhões até 2050. @astralwdesigns capturou o foco urbano em X: “AS CIDADES ESTÃO NA LINHA DE FRENTE DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS… O calor urbano mata milhares. "
Mercados de carbono e progresso do Artigo 6
As negociações ao abrigo do Artigo 6.º avançaram com cautela, com consultas informais sobre o relatório anual do Órgão de Supervisão a debaterem os riscos de não permanência das soluções baseadas na natureza. Países como a Costa Rica apelaram à criação de painéis de especialistas diversificados, enquanto a UE defendeu normas rigorosas. O inquérito da Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA) revelou que 91% dos inquiridos consideram o Artigo 6.º um fator-chave para o mercado, com 56% a defenderem a convergência dos Modelos de Mudanças Climáticas Voláteis (VCM).
Entre os eventos paralelos, estiveram a modelagem do IETA sobre os benefícios do mercado de carbono no Brasil — projetando ganhos no PIB e criação de empregos — e discussões sobre o uso de fundos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo para apoiar a implementação do Mecanismo de Crédito do Acordo de Paris (PACM).
ARTIGO RELACIONADO: A COP30 começa em Belém com uma iniciativa de adaptação liderada pela tecnologia e grandes promessas de financiamento.
Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e Sistemas Alimentares
O México apresentou sua NDC atualizada, limitando as emissões de gases de efeito estufa e setores até 2035 com uma meta de redução de mais de 50%, enfatizando a adaptação para grupos marginalizados — elevando o número de países que apresentaram atualizações para 112 dos 198 participantes. Um novo relatório observou que mais da metade dos países agora possui mais capacidade de geração de energia renovável do que de combustíveis fósseis, com destaque para a União Europeia e a América Latina.
A Itália aderiu à Aliança de Campeões para a Transformação dos Sistemas Alimentares (ACF), comprometendo-se com reformas na redução de emissões, prevenção de perdas alimentares e igualdade de gênero. O Movimento Scaling Up Nutrition (SUN) lançou o Guia I-CAN para integrar a nutrição às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
Liderança Subnacional e Vozes Indígenas
Em um gesto que demonstra a união da população americana, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, preencheu a lacuna deixada pelo governo federal dos EUA, assinando memorandos de entendimento com o estado do Pará, no Brasil, sobre prevenção de incêndios florestais, e com a Nigéria sobre transporte sustentável e redução das emissões de metano. Ele também reafirmou os laços com a Alemanha e a Holanda, proferindo o discurso de encerramento na Conferência Ministerial de Urbanização em nome de 14,000 mil entidades subnacionais.
Líderes indígenas se destacaram, com a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara, reunindo-se com Newsom, e vozes como Ednalva Palamido (Bakairi) e Paola Chindoy (Kamëntsa) amplificando histórias da comunidade em eventos paralelos. @AmazonTeamOrg publicou: “O segundo dia da COP30 começou! Estamos aqui ao lado de nossos parceiros indígenas.. "
A Etiópia foi confirmada como sede da COP32 em 2027, superando a Nigéria, com a adoção formal ainda pendente.
Olhando para o futuro: da agenda à ação.
O segundo dia ganhou impulso, mas as lacunas persistem — as emissões estão diminuindo desde Paris, mas ainda são insuficientes para limitar o aquecimento global a 1.5°C. @Recursos Mundiais anotado em X: “O relatório atualizado de síntese do NDC revelou uma lacuna de ação de 1.5°C.Com as questões financeiras, de perdas e danos, e as atualizações da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) no horizonte, Belém precisa apresentar compromissos concretos.
Para investidores ESG, as oportunidades são abundantes em títulos de adaptação, protocolos circulares e parcerias multiníveis — fique de olho em modelos escaláveis em energias renováveis e infraestrutura resiliente. Acompanhe a cobertura do terceiro dia no ESG News.
A ESG News tem o compromisso de divulgar as finanças sustentáveis e as soluções climáticas. As fontes incluem o PNUMA, a Reuters, a IETA e atualizações ao vivo da X.
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