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TotalEnergies é condenada a remover alegações de site após tribunal de Paris confirmar parcialmente caso de greenwashing

TotalEnergies é condenada a remover alegações de site após tribunal de Paris confirmar parcialmente caso de greenwashing

TotalEnergies é condenada a remover alegações de site após tribunal de Paris confirmar parcialmente caso de greenwashing

  • Tribunal francês ordena que a TotalEnergies remova declarações do site sobre suas ambições de zero líquido e transição, citando possível engano ao consumidor.
  • A maioria das reivindicações apoiadas pelo Greenpeace e pela ClientEarth foram rejeitadas, incluindo aquelas que visavam a reformulação da marca e a promoção do gás da TotalEnergies.
  • O caso aumenta o escrutínio regulatório e de investidores sobre as comunicações de sustentabilidade corporativa no setor de energia.

Decisão de Paris reforça responsabilização em reivindicações climáticas

Um tribunal francês decidiu que certas alegações on-line da TotalEnergies sobre suas ambições de neutralidade de carbono e seu papel na transição energética provavelmente enganariam os consumidores, aumentando o foco em como as empresas de petróleo e gás comunicam metas climáticas em meio ao crescente escrutínio legal e regulatório na Europa.

A decisão surge na sequência de uma ação judicial movida em 2022 pelo Greenpeace França, Amigos da Terra França e Notre Affaire à Tous, com o apoio da organização de direito ambiental ClientEarth. Os autores argumentaram que a campanha de "reinvenção" da TotalEnergies — lançada em 2021 para acompanhar a mudança de marca de Total para TotalEnergies — deturpou o progresso da empresa rumo à neutralidade carbônica até 2050 e a retratou falsamente como líder na transição energética.

Embora o Tribunal Judicial de Paris tenha acatado apenas uma parte das alegações, sua decisão ordenou que a subsidiária francesa da TotalEnergies removesse diversas declarações de seu site voltado ao cliente, incluindo referências a ser "um importante ator na transição energética" e à sua "ambição de atingir a neutralidade de carbono até 2050". O tribunal concluiu que a linguagem não era apoiada por divulgação suficiente do cenário de transição energética subjacente da empresa e poderia enganar os consumidores sobre o escopo e o ritmo de sua estratégia de descarbonização.

A empresa tem um mês para cumprir, após o qual poderá ser multada em € 10,000 por dia.

Tribunal rejeita a maioria das reivindicações

A decisão rejeitou vários elementos importantes do processo, incluindo alegações sobre a reformulação da marca corporativa da TotalEnergies, sua promoção pública do gás natural como um combustível fóssil de baixo carbono e seu posicionamento dos biocombustíveis como uma alternativa sustentável. Esses componentes constituem os pilares centrais da estratégia da gigante francesa de energia para diversificar, mantendo a lucratividade nos mercados de combustíveis fósseis.

Em um comunicado, a TotalEnergies disse que “reconhece a decisão” mas enfatizou que “o tribunal rejeitou a maioria das acusações”, acrescentando que “nenhuma campanha publicitária ou de comunicação foi condenada”. A empresa disse que não recorrerá e substituirá o texto removido por “uma descrição mais factual de suas realizações” relacionado ao seu plano de transição multienergética.

Empresa defende seu histórico de transição

A TotalEnergies aproveitou a decisão para destacar seus investimentos recentes em energia de baixo carbono. Desde 2020, investiu mais de € 20 bilhões globalmente — incluindo € 4 bilhões na França — em energias renováveis, biocombustíveis e geração de eletricidade. A empresa reportou 32 GW de capacidade instalada bruta de energia renovável e uma produção anual de 50 TWh de eletricidade, aproximadamente o equivalente a 15 reatores nucleares.

No mercado interno, a TotalEnergies opera 430 projetos eólicos e solares, totalizando 2 GW, atende mais de 4 milhões de consumidores de energia no varejo e lidera a rede de carregamento de veículos elétricos do país, com 1,900 pontos de carregamento rápido. A empresa também investiu quase € 1 bilhão em duas biorrefinarias francesas que produzem biocombustíveis e combustível de aviação sustentável, além de 117 projetos agrovoltaicos, representando quase 2 GW de capacidade.

A empresa afirma ter reduzido as emissões de gases de efeito estufa das instalações de petróleo e gás operadas em 36% desde 2015 e as emissões de metano em 55% desde 2020.

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“Com todo o respeito por aqueles que continuam a acusar-nos de greenwashing, apesar do que alcançámos na transição energética em França e a nível mundial, continuamos empenhados em construir o sistema energético do amanhã.”, afirmou a TotalEnergies.

Aumento da pressão regulatória sobre as reivindicações climáticas corporativas

A decisão surge em um momento em que tribunais europeus, agências de proteção ao consumidor e reguladores financeiros reforçam a fiscalização de comunicações enganosas sobre sustentabilidade. A Comissão Europeia propôs uma diretiva que proíbe alegações ambientais vagas, a menos que sejam verificáveis, enquanto órgãos de fiscalização nacionais intensificaram as investigações sobre "greenwashing" corporativo em diversos setores.

Grandes empresas do setor energético tornaram-se alvos prioritários, à medida que reposicionam seus portfólios sob pressão de investidores e políticas públicas. Casos semelhantes ao da TotalEnergies surgiram contra a Shell, a BP e a Repsol, enquanto ativistas e acionistas buscam alinhar narrativas corporativas com resultados mensuráveis ​​da transição.

Para executivos e investidores, a decisão de Paris reforça uma mudança mais ampla em direção à responsabilização nas comunicações climáticas — uma mudança que vincula o risco de reputação diretamente à precisão da divulgação e ao progresso comprovado.

À medida que as estruturas legais convergem com os padrões de relatórios ESG sob a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) da UE e as normas de garantia global do ISSB, as alegações de sustentabilidade das empresas serão cada vez mais julgadas não apenas pela ambição, mas pela transparência verificável e baseada em cenários.

O caso da TotalEnergies, embora amplamente favorável à empresa, serve como um alerta: mesmo decisões parciais podem reformular os limites da narrativa climática aceitável na transição energética da Europa.

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